timing perfeito
quarta-feira, 11 de abril de 2012

Ontem passou no Domingo Espetacular matéria sobre o Renato Rocha (Negrete), ex-baixista da Legião Urbana (vÃdeo no final deste texto). O cara foi um dos quatro da maior banda do rock brasileiro de todos os tempos e hoje está morando na rua (há cinco anos).
Há uns 10, despenquei pro Rio pra entrevistá-lo.
Foi na casa em Vargem Grande que aparece no final da matéria, que a repórter o leva pra lá. Os dois filhos eram novinhos, bebês, e ele morava com a mulher que aparece nas fotos no vÃdeo.
Ele sempre foi o destrambelhado da banda. Foi limado do grupo no auge, e deu essa entrevista contando o que os fãs não viam.
A entrevista foi desenterrada (e editada, pois é mais longa) pelo Vivaldo Simão (obrigado).

ZERO: Você era da turma dos Skinheads, não?
RENATO ROCHA: Quando o punk começou a acabar, sobrou muito gayzola, muito playboy que se dizia punk. Eram aqueles caras que compravam calças Fiorucci, desfiavam e falavam que eram punks. Aà resolvemos ser cabeça raspada. A gente era uma equipe do terror, pra diferenciar dos punkzinhos gays.
ZERO: Quem eram punkzinho gay?
R.R: Os lambe-lambes (risos)
ZERO: Que a gente conhece, quem era?
R.R: Os dois lá, o Dado e o Bonfá, o Dinho, Philipe Seabra [vocalista e guitarrista do Plebe Rude], essa turma.
ZERO: Por que lambe-lambes?
R.R: Porque não faziam nada. Chegavam nas festas e ficavam bodeados num canto. Gostavam de Bauhaus e PIL. Eram fracassados. Os carecas chegavam chutando o teto.
ZERO: Qual foi seu primeiro contato com o Renato e o resto da banda?
R.R: Ah, a gente andava numa turma, ia pras festas. Tinha uma época que tinha umas cinco festas por noite. Festas de detonar, de barão. Pó, maconha à vontade. E não aparecia ninguém pra encher o saco. O mais fraco ali tinha seis Rolls Royces na garagem. Quem ia ter coragem de entrar pra dar uma geral?
ZERO: Como você entrou para a Legião?
R.R: Renato tinha cortado os pulsos em BrasÃlia, estava na pré-produção do primeiro disco. Como ele tocava baixo, precisava de alguém para o lugar dele. Eu sabia todas as músicas, as letras. Entrei quatro dias antes do inÃcio das gravações. Acabamos virando a maior banda do Brasil.
Mas quando ficou cheio de grana, o Renato não queria fazer mais nada.Ficou muito chato, alcoólatra. Aà ele começou a chutar todo mundo, tratava todo mundo muito mal.
ZERO: Quando foi isso?
R.R: Foi no final dos 80. Ele tava inacreditável, tomou varias overdoses.
ZERO: Ele já não gostava de fazer shows?
R.R: Depois de encher o cú de grana, só gostava de encher a cara.
ZERO: Vocês eram amigos?
R.R: Não. A gente era conhecido. Amigo, não. A partir do momento em que o cara só se preocupa com ele mesmo…só ele tem dor de cabeça, só ele tem exaqueca, só ele tem problemas…
ZERO: Qual era o seu papel na banda? Você era apaziguador ou só chegava e tocava?
R.R : Eu fumava meu baseado inocente, tomava minha dose de uÃsque e ficava pensando: “cara, eu estou fazendo a melhor coisa do mundo: ganhando grana pra fazer música, e neguinho fica aà se lamentando à toa, reclamando do bife”.
Eu aproveitei minha fase rock. Os caras não tinham atitude roqueira, não falava com a galera, esnobavam os fãs. Pra mim ficar na Legião era um sacrificio.
ZERO: Por que você acha que eles se sustentaram como banda tanto tempo?
R.R: O Renato gostava de homem bonitinho e chamou o Marcelo Bonfá e o Dado pra tocar. O Dado só entrou porque o Renato queria o nome Villa-Lobos na banda. Aà ele ensinou o Dado a tocar. E o Bonfá era um pilha fraca, não aguentava tocar um show inteiro, não ensaiava, não treinava, não malhava, não comia, era um merda.
Saia coma namorada, não queria pagar a conta e a menina pagava. Queria fumar um baseado mas não apertava, eué que tinha que apertar. Folgado e mão-de-vaca. É um cara muito babaca, nem a mulher dele aguenta ele. Era uma agonia, pois o cara não sabia tocar nada.
ZERO: E como foi sua vida depois da banda?
R.R: Eu tive uma fase ruim, fiquei em baixa. Namorei uma mulher errada e minha vida degringolou. Era uma mulher que só queria sacanear. Tipo Cleopatra. Fiquei muito alcoólatra, muito louco, tomava tudo.
ZERO: Mas o Dado dizia que você já detonava antes de sair da banda.
R.R: O problema do Dado é que ele não sabe nem escolher a roupa que vai vestir. A mulher dele é quem escolhe. Ele não sabe tocar, não tem personalidade própria. Ele é tão bundão que podia ter impedido minha saÃda. A gente ia para o mundo inteiro. Iamos pra Europa, ele bundou pra mulher dele. A mulher queria ter um filho e prendeu ele aqui. Ele botou pilha pra gente não gravar fora.
ZERO: Foi depois do terceiro disco?
R.R: Foi. A gente ia gravar em Portugal.Estava tudo certo. A Legião ia arrebentar e ele bundou. Ficou com medo da Fernanda. A mulher amarrava um lacinho no pescoço dele e ele saia na rua assim. Não representa nada para o rock brasileiro. Representa o gosto do Renato. E a� Vai dizer que uma bicha daquelas era roqueiro? Em vez de comprar uma moto comprava uma lambreta. E ainda andava de lencinho. Como um cara desses pode dizer que é punk?
Eu saia, ia nas favelas, cheirava pó, ficava nas quebradas, pegava as putas. Ai o cara dizia que eu estava aloprando. Ele é que não aguentava a pressão. Eu pegava as gatas e passava na frente dele, o cara ficava com aquela carinha de bunda.
ZERO: Desde sempre eles tiveram essa atitude na banda?
R.R: Eu fiquei puto porque era um bando de cuzão com uma oportunidade de ouro nas mãos. Todo mundo falando bem pra caralho. Minha maior frustração é isso cara. Um cara do gabarito do Dvid Byrne falando das possibilidades de sermos o maior sucesso do mundo e dois playboyzinhos babacas sacaneando.
ZERO: Foi o David Byrne que ofereceu a oportunidade de vocês gravarem lá fora?
R.R: Não, foi a gente que conseguiu. Éramos a melhor banda de rock n’ roll do Brasil. Éramos.
ZERO: E você achava isso na época?
R.R: Eu achava uma das melhores do mundo. O Renato sabia cantar todas aquelas letras maravilhosas em inglês. O disco ia arrebentar. A gente ia ser o U2 e o Dado não deixou. Ou melhor, a mulher do Dado.
(…) ZERO: Ele (R.Russo) tinha uma atitude homosexual dentro da banda?
R.R: Tinha. Sempre teve. Pirava, ia lá e dava para o roadie Mas é aquela história. Se o cara tem muito poder, ninguém fala a verdade.
ZERO: A legião perdeu a atitude rock com a sua saÃda?
R.R: Cara, rock exige uma certa agressividade. Rock não é para playboyzinho pasmo, tchutchuquinha. Dado tomava um copo de uisque e ficava bêbado. A Cracatoa Vermelha nem bebe.
ZERO: Quem é a Cracatoa Vermelha?
R.R: Bonfá(risos)
ZERO: Quando foi a última vez que você falou com ele?
R.R:´Foi na gravação de Uma outra estação. Ele virou pra mim e disse: “eu estou igual a você”. Pensei: “puta merda, fudeu” (risos)
ZERO: E o Dado?
R.R: Foi uma vez no ATL HAll. ELE pegou meu braço e disse: ” Não fala mal de mim na imprensa não”. Eu fiquei só rindo, porque o filho dele tava todo preocupado, com medo de eu dar porrada nele. O moleque ficava falando “pai, vamos embora”
ZERO: Você ainda voltou pra gravar esse disco póstumo (R. Rocha participou da faixa da gravação instrumental da faixa Riding Song, que foi sobre posta a uma gravação dos 4 integrantes feitas durante as gravações do disco Dois).
R.R: Gravei cara. Infelizmente eu grave. Ganhei um barão [R$ 1000]. Aquele cara me ridicularizou. Mas eu estava precisando de grana.
ZERO: Você gastou toda a grana que ganhou na Legião?
R.R: Não, eu comprei carro, moto. Depois vendi tudo. E eu não ganhei tanta grana assim.
ZERO: Você foi ao enterro do Renato?
R.R: Não fui porque não sou cretino. Mas um dia passei com a minha namorada e a mãe do Renato estava no Burle Marx pra jogar as cinzas. Aà o pneu da moto furou bem na frente. Eu falei: “caralho, Manfredo, solta do meu pé”. Mas eu sempre gostei do Manfredo, ele sempre foi uma pessoa muito sincera, só que ele se fodeu, cara, porque ficou com dois babacas.
(…) ZERO: Quando você falou com Renato Russo pela última vez?
R.R: Falei pelo interfone. Ele não quÃs me atender. Toquei na casa dele e ele respondeu que tava de ressaca.
ZERO: O que você queria com ele?
R.R: Ah, sei lá. Perguntar como ele tava. Ele alucinava, tomava todas e subia na mesa,(…)Cansei de levar ele doidaço, babando no taxi. Mas aà como ele era mentor da banda e da juventude brasileira, mascaravam esse comportamento. (…)
ZERO: Como foi que você saiu da banda?
R.R: O Renato Russo saiu do elevador e falou: “Você está fora da minha banda”. A gente ia assinar o contrato do Quatro Estações. Estavamos no prédio da EMI.Ai eu falei pra ele: “Cara, se você me apontar o dedo eu torço seu braço”. Fiquei na minha, puto, mas sabia que não era uma coisa do Renato. que era coisa dos dois perobinhas. O maior castigo é ter grana e não ser feliz. Eu tenho e sou feliz.
….
ZERO: E sua banda Cartilagem, existe a quanto tempo?
R.R: Uns três anos. MAs ainda não chegou a hora da banda. O público ainda não está preparado pras minhas letras. Minha música é pra libertar o jovem.
ZERO: Parou com as drogas?
R.R: Fumo meu baseado, tomo umas bebidas.
ZERO: E a legião ainda dá grana?
R.R: Não, dá uma miséria. Menos de mil reais por mês. Só que conversar com eles é tentar tirar leite de pedra. Eles são brancos, eu sou pele-vermelha.
ZERO: Já pensou em se candidatar a algum cargo público?
Opa, já. Prefeito de Mendes. O grande lance é entrar no esquema e não ser corrompido´por ele. Como eu entrei na Legião e não fui corrompido[]
VÃdeo do Domingo Espetacular
Van Halen 2012 Tour Set List – Louisville, Kentucky
‘You Really Got Me’
‘Runnin’ With the Devil’
‘She’s the Woman’
‘Romeo Delight’
‘Tattoo’
‘Everybody Wants Some!!’
‘Somebody Get Me a Doctor’
‘China Town’
‘Mean Streets’
‘Pretty Woman’
Drum Solo
‘Unchained’
‘The Trouble With Never’
‘Dance the Night Away’
‘I’ll Wait’
‘Hot for Teacher’
‘Women in Love’
‘Outta Love Again’
‘Beautiful Girls’
‘Ice Cream Man’
‘Panama’
Guitar Solo
‘Ain’t Talkin’ ‘Bout Love’
‘Jump’

Comunicado à imprensa
O Grupo Record vem a público informar que foi vÃtima de mais um ataque criminoso contra as suas atividades empresarias. São absolutamente falsas as notÃcias sobre o encerramento do portal R7 e da Record News.
O ataque foi divulgado sem identificar qualquer fonte de informação pelo site Adnews, na mesma semana em que a empresa anunciou que se tornava parceira do portal UOL, um dos concorrentes do R7.
O R7 registrou excelentes resultados em menos de três anos de atividades. De janeiro a dezembro de 2011, o portal teve um crescimento de 111,61%, enquanto o mercado brasileiro de internet se expandiu 8,73% no mesmo perÃodo, segundo dados do Ibope/Nielsen.
A Record News, apesar de sofrer boicote de algumas operadoras de televisão paga, segue como o canal de notÃcias com o maior número de telespectadores do paÃs.
A atuação da Record News e do portal R7 permitiu que o Grupo Record expandisse seu alcance, democratizando ainda mais o acesso à informação. Ambos atendem a um público cada vez maior, telespectadores e internautas que, cientes da qualidade dos produtos, optam cada vez mais pelos seus serviços.
O Grupo Record informa ainda que vai tomar medidas judiciais contra estes ataques, que podem trazer prejuÃzos para nossas atividades.
São Paulo, 17 de fevereiro de 2012.
CENTRAL RECORD DE COMUNICAÇÃO

01. “Free Bird – LYNYRD SKYNYRD
“Nada supera esta balada. ‘Free Bird’ se encaixa nos 20 primeiros anos de estrada da minha vida – sem se ligar muito à s coisas, viver o agora e prosseguir.”
02. “Stairway to Heaven” – LED ZEPPELIN
“Quando eu consegui meu primeiro violão, eu tirei o dedilhado inicial dela, e sai correndo pela casa dizendo, ‘Olha isso – eu consigo tocar isto!’ Minha famÃlia ficou com cara de ‘Cadê o resto da música?’”
03. “Jailhouse Rock” – ELVIS PRESLEY
“Eu me lembro de o ver pulando sobre barras com todos os seus colegas. Ela encapsula rebelião, o que é na verdade criatividade sem rumo.”
04. “Behind Blue Eyes” – THE WHO
“Essa música passa todo aquele sentimento de angústia do jovem. Ela fala sobre pedir ajuda, mas sem realmente querer. Me lembra muito de mim mesmo.”
05. “Candle in the Wind” – ELTON JOHN
“‘Saturday Night’s All Right For Fighting’ era mais meu estilo, mas poucas músicas conseguem alcançar esta melodia.”
06. “God Only Knows” – THE BEACH BOYS
“Eu comecei a ouvir Beach Boys de novo há uns seis meses. Eu cresci no sul da Califórnia; pra mim, esta música fala sobre algo mais.”
07. “Yesterday” – THE BEATLES
“Ela se ligou instantaneamente comigo. Ela faz você pensar.”
08. “Black Sabbath” – BLACK SABBATH
“Esta música me assustou. Ela é muito mais que pesada.”
09. “Smells Like Teen Spirit” – NIRVANA
“Quando toda aquela onda “Hair Metal” dos anos oitenta estava sendo exaltada, o Nirvana veio com seu som de garagem empolgante e um grande gancho. Era o que a música precisava.”
10. “The Boys Are Back In Town” – THIN LIZZY
“Phil Lynott nunca teve medo de escrever a partir do coração, mesmo se fosse meio meloso. Thin Lizzy inspirou muito as harmonias de guitarra do Metallica.”
So no one told you life was gonna be this way
